quinta-feira, 25 de julho de 2019

AS 7 LINHAS DE UMBANDA: UM POUCO DO HISTÓRICO E EVOLUÇÃO, QUE NÓS PRATICAMOS NO TUCLEI.


 “Com os espíritos mais evoluídos aprenderemos, Aos menos evoluídos, ajudaremos. Mas a nenhum viraremos as costas.” Caboclo das 7 Encruzilhadas
As práticas na Umbanda são representada de diversas maneiras, inclusive a forma como compreendem as forças ou as presença das entidades, é diferente. A essa categorização de forças, damos os nomes de Linhas, sendo mais comum encontrar empregado o termo 7 Linhas de Umbanda.
Antes de entrarmos nas 7 linhas e nas muitas visões que as vertentes possuem delas, devemos compreender que a palavra “linhas” acaba sendo usada para uma infinidade de coisas e situações dentro da Umbanda, assim como a palavra guia, que ora significa entidade espiritual, ora significa fio-de-contas. A palavra “linhas”, pode ser empregada para designar a Vertente, as sete Linhas básicas de Umbanda, as sub-linhas (chamados por alguns de falanges e legiões) e também as entidades ou a forma de atuação das entidades (linha de trabalhos dos caboclos, pretos velhos, ecus, linha dos baianos, etc).
Quando falamos de Sete Linhas, estamos nos referindo as sete principais divisões ou categorizações dentro da Umbanda. Sempre lembrando que isso se dá para uma melhor assimilação por nós encarnados e não significa que as entidades da diversas linhas se misturem e trabalhem em conjunto. Podemos dizer que as linhas são apenas designações ou funções que cada entidade desempenha com melhor proficiência.
As 7 Linhas de Umbanda
Dentro da estrutura básica dividem-se as linhas por sete, sempre estas sete, sendo irradiadas por Olodumaré, Zambi, Olorum, Deus, Tupã, ou outro nome a que nos referimos a Entidade Suprema, Criadora, o Deus Inefável. As linhas subsequentes são colocadas ou dispostas de forma a obedecerem uma força específica, mas não obedecem uma hierarquização clássica, com exceção de Oxalá. Justamente por isso sempre veremos, em qualquer estrutura umbandista – ou na maioria pelo menos – a linha de Oxalá sendo a primeira linha. As demais podem variar na sua posição de aparecimento, porém não significa que a Linha de Ogum (na Umbanda Tradicional a segunda linha) seja mais forte ou tenha mais elevação que a linha de Iemanjá (geralmente a sexta linha).
A escolha do número sete não é ao acaso, ela obedece a uma tradição esotérica muito presente nas terras brasileiras e advinda – ao contrário do que se acredita – da magia européia. O número 7 representa o completo, a perfeição, um ciclo total, seria a representação de tudo que pode haver. Logo o 7 também poderia ser representado como o Ourobouros, a serpente que persegue a própria cauda e que sempre se renova.
Dentro da Umbanda, das muitas culturas que a influenciaram, encontramos a presença da influência africana da cultura bantu, de uma forma mais impactante. Muito da Umbanda, tem influência da cultura dos povos de Congo e de Angola, porém hoje desconhecemos muito disto. Mas aqui, devemos abrir uma ressalva, pois para o povo bantu o número sagrado não era 7 como costumá-se achar, mas sim o número 9.
Essa informação, a princípio contraditória, só reforça a tese de que a Umbanda não é de fato africana, mas sim uma miscelânea de culturas e informações criadas no Brasil. Encontramos também o número 7 como um número sagrado em alguns povos de cultura Nagô e também Fon.
Então, como o número 7 representa a perfeição, teríamos dentro das 7 linhas, todas as estruturas necessárias do Universo para trabalhar com a Umbanda. Porém muitas pessoas confundem as 7 linhas com sete orixás, tentando criar uma nova estrutura para caber todos os Orixás existentes.
Mas isso é uma tarefa impossível – além de improdutiva e errada – pois não existem apenas sete, nove ou vinte orixás. Existem orixás aos milhares, conforme cada tribo africana, isso sem considerar os Voduns e os Inquices. Aliás, um Vodum se faz a partir do culto do ancestral, se um ente morre e é cultuado ele se torna um vodum, logo se deifica ou diviniza. Imagine a quantidade de voduns que existem então.
As sete linhas não representam os sete orixás, mas sim forças universais que são sincretizadas ou expressadas (simbolizadas) por determinados orixás. Dentro dessa ideia, deixo aqui a sugestão de leitura sobre a minha tese dos potes de poderes, para uma melhor compreensão.
As 7 Linhas de Umbanda – Umbanda Branca:
Para a Umbanda Branca, de Zélio Fernandino de Morais e do Caboclo das 7 Encruzilhadas, encontramos a definição das sete linhas como disposta a seguir: Oxalá, Ogum, Euxosse, Xangô, Nhã-Shan, Almanjar e Almas. Esses nomes, que aparentemente estão escritos de forma incorreta, foram depois alterados para Oxóssi, Iansã e Iemanjá, por convenção. Porém podemos admitir mais do que uma simples incorreção dos termos, mas sim uma tentativa de mostrar que não se tratavam dos orixás africanos, a quem se referia o Caboclo das 7 Encruzilhas e também Pai Antônio.
Dentro da estrutura da Umbanda Branca, todas as linhas possuem regências e são comandadas por um Santo Católico, com exceção da linha de Oxalá e da Linha das Almas. Sendo que a primeira tem seu regente como o próprio filho de Deus, Jesus Cristo e a última sem uma regência declarada, sendo o espaço onde os Espíritos ainda em desenvolvimento – leia eguns, kiumbas, exus e pombagiras – estariam trabalhando para a prática do bem e da caridade.
Desta forma, encontramos a Linha de Oxalá, sendo regida por Jesus Cristo; a Linha de Ogum, sendo regida por São Jorge; a Linha de Euxosse, sendo regida por São Sebastião; a Linha de Xangô, sendo regida por São Jerônimo; a Linha de Nhã-Shan, sendo regida por Santa Bárbara, a Linha de Almanjar, sendo regida pela Virgem Maria e a última linha de Santos e Almas, ou só Almas, sem regimento específico.
Essa estrutura é bem divulgada e estudada no livro de Leal de Souza: O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda.
As 7 Linhas de Umbanda – Umbanda Popular:
Algumas vertentes populares, assim como autores, mudaram a sua estrutura de linhas, para algo um pouco diferente. Autores como Lourenço Braga, além de mudarem um pouco a estrutura básica das sete linhas, também ampliou o seu conhecimento e a forma de hierarquização, subdividindo as linhas em estruturas menores, chamadas de falanges ou legiões. Claro que esse entendimento também é bem difundido de formas diversas, sendo considerado para alguns autores falange e legião como sinônimos e para outros como subdivisões diferentes.
A estrutura considerada por Lourenço Braga e diversos outros autores contemporâneos a ele, como o próprio Antônio Alves Teixeira Neto (Antônio de Alva), é de que as sete linhas seriam: Linha de Oxalá, Linha de Iemanjá, Linha do Oriente, Linha de Xangô, Linha de Oxóssi, Linha de Ogum e Linha Africana.
O que reparamos nessa estrutura – além da reordenação do aparecimento das linhas – é que a Linha de Iansã foi retirada para dar lugar a uma linha chamada Linha do Oriente, sendo essa regida por São João Batista (Xango Caô) e a Linha de Santos e Almas dando lugar a Linha Africana, onde congregariam todos os Pretos-Velhos (com exceção dos Quenguelês, que se encontram dentro da Linha de Xangô), com a regência de São Cipriano, sendo esta chamada também de Linha da Magia.
Essa estrutura foi bem difundida nas umbandas populares devido a literatura que se baseava e apoia a mesma, porém autores como Antônio Alves Teixeira Neto mudam seu pensamento a respeito da estrutura, depois admitindo em livros pós década de 1970, uma nova estrutura, onde a Linha do Oriente daria lugar a Linha de Oxum e a Linha Africana daria lugar a Linha de Obaluayê. Essa ideia é seguida de muito perto pela estrutura do Terreiro de Pai Maneco, do estado do Paraná. No Terreiro de Pai Maneco, fundado pelo Pai Fernando de Ogum, encontramos a sete linhas sendo composta de: Linha de Oxalá, Linha de Ogum, Linha de Iemanjá, Linha de Iansã, Linha de Oxóssi, Linha de Oxum e Linha de Xangô.
As 7 Linhas de Umbanda – Umbandas Esotéricas:
Dentro dessa categoria podemos incluir a Umbanda do Caboclo Mirim (Aumbandã), a Umbanda de Matta e Silva (Ahumbhandãn – Raiz de Pai Guiné), a Umbanda de Rivas Neto (Ohmbhandãn – Iniciática) e a Umbanda de Roger Feraudy (Aupram).
Evidentemente, as umbandas aqui citadas não comungam da mesma estrutura litúrgica e filosófica, mas por trazerem similaridades em seus nomes e a denominação esotérica, fazem com que estejam todas em uma mesma categoria de estudos.
Podemos encontrar em 1952, o Caboclo Mirim dando a sua forma de entendimento das sete linhas de Umbanda, traduzindo-as, como:  Linha de Oxalá ou Orixálá, Linha de Ogum, Linha de Oxóssi, Linha de Xangô, Linha de Iofá, Linha de Ibejis e Linha de Iemanjá.
Já em 1956, W.W. da Matta e Silva trazendo sua revelação da raiz de Pai Guiné, transporta a ideia de que as sete linhas seriam formadas da seguinte forma: Linha de Orixalá, Linha de Ogum, Linha de Xangô, Linha de Oxóssi, Linha de Iemanjá, Linha de Yori e Linha de Yorimá. Assim como é também seguido pela Umbanda de Rivas Netto e de Roger Feraudy (também não poderia ser diferente, pois ambos disputam a herança de Matta e Silva).
Podemos reparar na similaridade entre as linhas apresentadas, notando claramente o surgimento de novas linhas como a de Iofá – Yorimá e Ibejis – Yori, respectivamente Pretos-Velhos (almas) e Crianças (eres). Aqui notamos já uma confusão (não estou dizendo que o autor estava errado, mas sim que é comum isso) entre linhas de forças (orixás ou sete linhas principais) e linhas de trabalho.
Além dessa nova estrutura, podemos ainda verificar a mudança de pensamento de Benjamin Figueiredo posteriormente, alterando a própria estrutura das sete linhas praticadas por eles e também adicionando termos ou funções específicas de cada linha: Oxalá é considerada a linha da Inteligência, Iemanjá é considerada a linha do Amor, Xangô Caô (Oriente) é considerada a linha da Ciência, Oxóssi é considerada a linha da Lógica, Xangô Agodô é considerada a linha da Justiça, Ogum é considerada a linha da Ação e Iofá é considerada a linha da Filosofia.
Vemos aqui claramente a mudança das linhas com a inclusão da linha do Oriente no lugar da linha dos Ibejis. Essa ideia de definir funções e outros atributos não era nova e também foi usada por Lourenço Braga, de uma forma um pouco diferente, sendo considerada as linhas com regentes que não eram santos, mas sim anjos ou forças planetárias.
Vemos a Linha de Oxalá, sendo considerada em 1955, com o lançamento do livro “Umbanda e Quimbanda – Volume 2”, como: Linha de Oxalá ou Linha das Almas, com a regência de Jesus e a força planetária de Júpiter; Linha de Yemanjá ou Linha das Águas, com a regência do Arcanjo Gabriel e a força planetária de Vênus; Linha do Oriente ou Linha da Sabedoria, com a regência do Arcanjo Rafael e a força planetária de Urano; Linha de Oxóssi ou das Matas (Vegetais), com a regência do Anjo Zadiel e a força planetária Mercúrio; Linha de Xangô ou dos Minerais, com a regência do Anjo Oriel e a força planetária de Saturno; Linha de Ogum ou das Demandas, com a regência do Anjo Samael e a força planetária de Marte e por fim, a Linha dos Mistérios ou Encantamentos, com a regência do Anjo Anael e a força planetária de Saturno.
Podemos perceber que os autores não se fixam em uma só ideia e vão se adaptando e adaptando suas estruturas de pensamento conforme adquirem novas informações. Lembrando que muitos deles eram influenciados pela maçonaria e também práticas esotéricas e ocultistas, que podem ter influenciado também o seu pensamento sobre a estrutura de Umbanda.
As 7 Linhas de Umbanda – Umbanda Sagrada:
Rubens Saraceni, bebeu também dessas fontes anteriores para fundamentar a sua estrutura de pensamento dentro das lógica da Umbanda Sagrada. Separou as sete linhas em funções e dentro dessas em outras tantas, conferindo polaridades a cada uma dessas funções e então chamando-as de Tronos de Deus. Termo que é amplamente confundido com os Tronos Angelicais – e que o autor não se esforça para esclarecer, muito pelo contrário, reforça que o Orixás são facetas divinas acima da compreensão humana e também são Universais, ou seja, o Xangô do planeta Terra é o mesmo que do planeta Júpiter, me pergunto se lá também houve miscigenação cultural.
Dentro desses sete tronos, esforçou-se para colocar quantos orixás fossem necessários, valendo-se até do expediente de criar ou de repetir os Orixás, inclusive de resignificá-los, mas mantendo-os como estruturas africanas em muitas lendas e justificativas, conforme convinha a necessidade do momento.
Criou então o Trono da Fé, onde encontramos as figuras de Oxalá e de Logunã, anteriormente chamada de Oyá-Tempo; Trono do Amor, com as figuras de Oxum e Oxumaré; Trono do Conhecimento, com as figuras de Oxóssi e Obá (Orixá não cultuado na Umbanda até então, de forma mais massiva); Trono da Justiça, com as figuras de Xangô e Egunitá, posteriormente renomeada para Oro Iná; Trono da Lei, com as figuras de Ogum e Iansã; Trono da Evolução, com as figuras de Obaluayê e Nanã Burukê e a Linha da Geração, com as figuras de Iemanjá e Omulu.
Para cada um dos pares ele definiu funções como: ativo/passivo, positivo/negativo, feminino/masculino, irradiador/consumidor, etc. Também criou os termos como Trono Cristalino, Trono Mineral, Trono da Expansão, Trono da Razão, Trono da Ordem, Trono Consumidor, Trono da Criação, Trono Ígneo, Trono Aquático, Trono Vegetal, Trono Eólico, etc.
As 7 Linhas de Umbanda – Umbanda Popular:
Já nas Umbandas ditas populares ou tradicionais, nem sempre se segue uma estrutura de sete linhas fechadas, muitos nem fazem questão de nomear as sete linhas, lidando com elas de forma mais informal ou muitas vezes chamando as linhas de trabalho, por meio das sete linhas ou como se fossem as próprias sete linhas.
Para a Umbanda Popular o que mais vale é a prática da Espiritualidade e não exatamente como ela se processa, apesar que isso não é regra e como tudo que ocorre com as Umbandas Populares, pode variar de casa a casa, sendo que algumas com uma influência maior do candomblé nagô irá cultuar Orixás como Obá, Logun Edé, Orumilá, Ossaim, que não são cultuados diretamente dentro das práticas de Umbanda convencionais.
As 7 Linhas de Umbanda – Umbanda Pés no chão:
Umbanda pés no chão fundamentada e trazida pelo Pai Fernando, praticada no Terreiro Pai Maneco em Curitiba PR e em todos os terreiros derivados de seus fundamentos. São cultuados sete Orixás Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Iemanjá, Iansã e Oxum.

Conclusão do que cultuamos.
Depois de muito estudo nessa caminhada na Umbanda e buscando fundamentar as práticas que meus guias me ensinam percebi a união de diversas vertentes de Umbandas. Cultuamos os fundamentos das sete linhas de Umbanda trazidas pelo Pai Rubens Saraceni e práticas fundamentadas de diversos outros mestres da Umbanda como Matta e Silva e Pai Fernando da Umbanda pés no chão entre outros. Muito dos conhecimentos trazidos por estes mestre eu concordo mas não tudo.
Dessa maneira estimulo meus filhos e os adeptos do Terreiro de Umbanda Caboclos da Lei não se limitarem em um só fundamento, pois encontraremos em diversos textos, livros e pontos de vista à mesma maneira que cultuamos. Nossa Umbanda é pura mas em seus traços carrega muito conhecimento indígena e kardecista mas não foge também dos fundamentos do Candomblé e Esotéricos.